Há três séculos, um
evento equestre promovido pela família real marca o início oficial do verão
britânico. Programa predileto da monarquia, o Royal Ascot atrai não só ingleses
de todas as regiões do país, mas visitantes de vários cantos do planeta. Desde
1945, ainda em seu tempo de princesa, a rainha Elizabeth II nunca deixou de
comparecer. A série de 30 páreos conquistou o status de ser o mais tradicional
evento do calendário turfístico mundial. A
competição acontece no Ascot Racecourse, um dos principais hipódromos do Reino
Unido, localizado na Fazenda Ascot, propriedade de Sua Majestade. Ascot fica na
província de Berkshire, distante 50 quilômetros de Londres.
Estimado
em 300 mil pessoas, o público tem uma oportunidade especial de ver de perto a
família real. De carruagem aberta e puxada por quatro cavalos, a rainha
Elizabeth II percorre os seis quilômetros que separam o Castelo de Windsor do
hipódromo. Chega acompanhada do marido, o duque de Edimburgo, e dos filhos, o
príncipe Charles, herdeiro do trono, e Edward, conde de Wessex. Outras
carruagens, com membros da realeza, seguem o séquito. Trajados a rigor, à
frente vêm os cavaleiros da Guarda Real. A entrada triunfal do cortejo,
instituído em 1820, durante o reinado de George IV, é um dos momentos mais
esperados. Assim que atravessam os portões do Ascot Racecourse, as carruagens
dão uma volta na raia. Em reverência à rainha, a plateia, em pé, entoa “God
Save The Queen”, o hino nacional inglês, tocado por uma pequena orquestra.
Depois, os membros da monarquia seguem para a “Royal Enclosure”, a tribuna
restrita à realeza e seus convidados. O espaço tem visão privilegiada que
permite acompanhar de perto os últimos metros da emocionante chegada dos
animais.
Os
convidados do “Royal Enclosure” obedecem a um rígido código para se vestir, uma
imposição da monarca, que em 2008 ficou contrariada com a indumentária das
mulheres, de ombros e pernas de fora. Somente têm acesso ao recinto real homens
de fraque e cartola e mulheres com vestidos comportados. Mas, se o vestuário
tem suas regras, um dos acessórios, o chapéu feminino, não obedece a nenhum
padrão. É um show à parte. Aí, literalmente, a imaginação é o limite. A
indumentária virou instituição em Ascot. A variedade é enorme, e nem sempre o
bom gosto dita as regras. Todo ano há uma profusão de estilos, modelos, cores e
tamanhos. As plebeias seguem o figurino. E tem gente que vai ao evento não para
ver cavalo correr, mas apenas apreciar o desfile dos exóticos chapéus.





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